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Inverno chega a regiões produtoras a todo vapor

Saiba como proteger os cultivos nesta época de frio

23/06/2016


Este ano, o frio promete não dar trégua. Depois de anos sem a ocorrência de geadas, alguns Estados registraram temperaturas abaixo da média para o mês de junho e elas voltaram. O inverno, que começou nesta segunda-feira, 20, e se estende até 22 de setembro, já afeta a produção de lavouras e áreas de pastagem.

No Paraná, segundo o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), este deve ser um inverno de geadas frequentes, sobretudo na região Central e Sul do Estado. No Norte, a previsão é de três a cinco eventos, o que é considerado normal para esta época do ano. A agrometeorologista Heverly Morais afirma que as recentes geadas, de uma semana atrás, foram sentidas no Norte do Paraná, onde concentra-se a produção cafeeira, havendo impacto também sobre lavouras de milho, na região Sudoeste, e de hortaliças, ao redor do Estado. Desde 2013, o Iapar não emitia um alerta de geada.

No caso do café, a especialista afirma que as plantas mais sensíveis são as mais novas, com até seis meses de idade, que devem ser enterradas para evitar a queima das folhas. “Passando o risco de geada, e uma vez que a massa de ar frio tiver se afastado, a recomendação é retirar a cobertura de terra”, diz. Nas lavouras com cafeeiros de seis a 24 meses, ela orienta que o tronco seja recoberto na altura do primeiro par de folhas. “Isso permite que mesmo que as folhas sejam queimadas em uma geada forte, elas rebrotem a partir do tronco que estava protegido”, explica Heverly. Cafeeiros mais velhos contam com a própria copa para se proteger. Este ano, as geadas no Norte do Estado foram de fraca a média intensidade, podendo ter efeito sobre a produção do café da próxima safra.

Quanto às hortaliças, o impacto foi principalmente sobre as folhosas a campo. Em relação ao milho – considerando não só as geadas, mas a estiagem que a cultura enfrentou em abril – as perdas podem ser grandes, com possibilidade de redução da estimativa de colheita, que era de 12,1 milhões de toneladas. Heverly afirma que boa parte das lavouras estava na fase de enchimento de grãos, o que deve ser um agravante para queda de produtividade. “Nessa fase, a cultura ainda precisa das folhas para que aconteça a fotossíntese e a espiga tenha energia suficiente para formar o grão. Com a geada, as folhas queimam e é aí que acontecem as perdas”.

Em Mato Grosso do Sul o frio também chegou mais cedo e foram registradas geadas de média intensidade nos dias 12 e 13 de junho no Centro-Sul do Estado. De acordo com o técnico da estação agrometeorológica da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, João Cezário Peres Gordin, não são esperados novos eventos como esse a curto prazo. “Até julho, as temperaturas mínimas devem girar em torno de 9 e 10°C. Com a entrada de julho, a média cai um pouco, para 7°C. Mas para ter geada são necessários 4°C ou menos”, diz. As máximas previstas estão na casa de 20°C a 23°C.

No início da última semana, as geadas que atingiram o Mato Grosso do Sul afetaram principalmente as lavouras de feijão e milho, além das pastagens. “O feijão queimou bem e o milho sofreu impacto nas áreas de baixada. Aqui no Estado temos produção em vários estágios e a lavoura que sofre mais é aquela em ponto de pendoamento”, afirma Gordin. Sobre as pastagens, ele diz que o pecuarista está acostumado com as características dessa época do ano na região e, por enquanto, não há sinais de que as condições climáticas irão mudar. “Além do frio, de agosto até o começo de setembro o tempo fica muito seco, o que limita o ciclo vegetativo da braquiária. Assim, o jeito é suplementar o gado, recorrer à cana, ao napiê”. O último alerta de geada no Estado havia sido emitido em 25 de setembro de 2013.

No Rio Grande do Sul, as temperaturas devem manter o padrão dos anos anteriores ou até ficar um pouco abaixo. Em julho, as mínimas variam, na média, entre 7ºC e 10ºC, enquanto as máximas devem ficar entre 16ºC e 20ºC. Já em agosto, as mínimas ficam entre 7,5ºC e 11ºC, e as máximas entre 17ºC e 23ºC. Segundo a agrometeorologista da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Bernadete Radin, o fenômeno El Niño ainda está atuando no Estado, mas já perde força, e a previsão é de que o La Niña (esfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial) atue durante a primavera. “Será um agosto com temperaturas baixas e seco. E essa condição é benéfica para a cultura do trigo, pois não cria condições favoráveis para o aparecimento de doenças fúngicas e para a ocorrência de pragas”, esclarece.

Flávio Varoni, também da Fepagro, afirma que geadas amplas ocorreram no Estado neste mês de junho, com dias sucessivos registrando temperaturas negativas. “Agora o ar mais frio perdeu força”, diz. De acordo com ele, daqui para frente a ocorrência do fenômeno deve se manter dentro da normalidade do que é esperado para o Rio Grande do Sul.



Recomendações técnicas

Abaixo, trazemos orientações técnicas compiladas pelo Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul em seu último relatório trimestral para trato de diferentes culturas:


Hortaliças
- Evitar irrigar em excesso e não irrigar em dias nublados. Quando necessário, irrigar pela manhã. Usar cobertura morta e dar preferência a irrigação por gotejamento;
- Recomenda-se a produção de mudas em ambiente protegido visando garantir a qualidade;
- Em ambientes protegidos (túneis e estufas), proceder à abertura o mais cedo possível, exceto nos dias frios nos quais a abertura deverá ser retardada, de acordo com a temperatura do ar (em geral acima dos 10ºC) e com a condição de disponibilidade de radiação solar. Realizar o fechamento cerca de uma hora antes do pôr do sol. Em dias frios, antecipar o fechamento em uma hora e, em dias com previsão de geada, antecipá-la em cerca de duas a três horas e vedar completamente as estufas;
- Dar ênfase ao monitoramento de doenças, principalmente daquelas favorecidas pelo molhamento da parte aérea ou excesso de umidade no ar ou no solo.


Culturas de inverno
- Escalonar a época de semeadura dentro do período indicado pelo zoneamento agrícola;
- Nos cereais, utilizar, preferencialmente, cultivares resistentes a doenças e dar ênfase ao monitoramento de doenças.


Silvicultura
- Em povoamentos florestais, deve ser evitada a adubação mineral ou orgânica com elevadas concentrações de nitrogênio;
- Para produção de mudas florestais em céu aberto, caso o viveirista tenha necessidade de aplicar fertilizantes, deve aumentar a relação potássio/nitrogênio da formulação mais indicada para cada espécie e estádio.


Pastagens
- Realizar o plantio de forrageiras de inverno, anuais ou perenes, assim que houver condições adequadas de umidade do solo;
- Reduzir a carga animal em pastagens naturais;
- Diferir potreiros com pastagens cultivadas de inverno e campo nativo melhorado com sobressemeadura de espécies hibernais para permitir o restabelecimento dessas espécies e acumular forragem para o período hibernal.


Fruticultura
- Manter a cobertura vegetal nas entrelinhas das plantas, de forma que esta proteja o solo e retenha a água;
- Realizar adubação somente quando o solo apresentar umidade adequada;
- Para minimizar danos por geada em frutíferas, evitar a adubação com nitrogênio, tendo em vista o estímulo a novas brotações no período frio;
- Para cultivos em ambiente protegido, elevar a radiação solar no ambiente, retirando as telas.


Fonte: Portal DBO



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